quarta-feira, maio 23, 2012

PRIMEIRA FASE DO MODERNISMO NO BRASIL E SEUS MOVIMENTOS.

A primeira fase modernista também é marcada pelos manifestos nacionalistas: do Pau-Brasil, da Antropofagia, do Verdeamarelismo e o da Escola da Anta. Podemos destacá-los da seguinte forma:


• Manifesto Pau-Brasil: escrito por Oswald de Andrade, publicado no jornal “Correio da Manhã”, em 18 de março de 1924. Com a intenção de causar um sentimento nacionalista, uma retomada de consciência nacional.



• Antropofagia: publicado entre os meses de maio de 1928 e fevereiro de 1929. Sua origem se dá a partir de uma tela feita por Tarsila do Amaral, em janeiro de 1928, batizada de Abaporu ( aba= homem e poru = que come). Surgiu como nova etapa do nacionalismo “Pau-Brasil” e resposta ao “Verdeamarelismo”.



•Verdeamarelismo: este movimento surgiu como resposta ao “nacionalismo afrancesado” do Pau-Brasil, em 1926, apresentado, principalmente, por Oswald de Andrade, liderado por Plínio Salgado. O objetivo era um nacionalismo puro, primitivo, sem qualquer tipo de influência.



•Anta: parte do movimento Verdeamarelismo, representa o nacionalismo primitivo elegendo como símbolo nacional a “anta”, além de vangloriar a língua indígena “tupi”.

Os escritores de maior destaque dessa fase defendiam estas propostas: reconstrução da cultura brasileira sobre bases nacionais; promoção de uma revisão crítica de nosso passado histórico e de nossas tradições culturais; eliminação definitiva do nosso complexo de colonizados, apegados a valores estrangeiros. Portanto, todas elas estão relacionadas com a visão nacionalista, porém crítica, da realidade brasileira.

Fontes:
www.brasilescola.com.br (acesso em 23/05/2012; às 8h:35min.)


Alunos:
Felipe e Mateus - 3o. ano.
Seminário São Francisco


ROMANCE REGIONALISTA

            Para alguns escritores, o verdadeiro Brasil era o Brasil do Sertão, que conserva ainda intactos alguns traços peculiares de nossa cultura (como costumes ou línguas) e de nossa natureza. Foi isso que tentaram registrar em suas obras, criando a tendência regionalista em nossa Literatura.
            O regionalismo é outra face do nacionalismo literário explorado pelo romance indianista.
            Cronologicamente, o primeiro desses regionalistas foi Bernardo Guimarães. O visconde de Taunay ficou conhecido, sobretudo pela obra inocência. Mais tarde, José de Alencar vai escrever também romances regionalistas.
            Franklin Távora, por sua vez, vai explorar a cultura regional do Nordeste do país O Cabeleira.

Regionalismo: o Brasil literário amplia suas fronteiras

 O regionalismo traz para o centro do romance romântico as paisagens e os tipos de um Brasil desconhecido como os vaqueiros dos pampas e os sertanejos do Nordeste. Nessas obras, é apresentada uma sociedade rural de comportamentos e valores bem diferentes daqueles da corte. A ficção vai aos poucos “conquistando” o território nacional pelas mãos de escritores como José de Alencar, Alfredo d’Escaragnolle Taunay (Visconde de Taunay), Franklin Távora e Bernardo Guimarães. 

O projeto literário do romance regionalista


Alguns dos escritores românticos decidiram, então, usar suas narrativas para divulgar aspectos locais ignorados por seus contemporâneos. Inocência, do Visconde de Taunay, exemplifica bem esse processo. Quando um leitor do Rio de Janeiro ou de São Pulo lia essa obra, entrava em contato com um Brasil patriarcal, onde a vida das mulheres era inteiramente decidida e controlada pelos homens (Pais e Maridos). 

• O Romance regionalista e o público

O público das narrativas regionalistas era exatamente o mesmo que lia todos os outros romances: moradores de classe média dos centros urbanos principalmente do Rio de Janeiro. Ele vivia distante das influências europeias e via de conhecimento como algo perigoso. Associava os livros a uma ameaça à moral das moças de família.

Características:
A maior parte dos romances publicados em língua portuguesa tinha suas origens vindas de Portugal, mas os autores brasileiros contribuíram para a criação de obras com as suas próprias características.
Os romances regionalistas eram geralmente dedicados aos moradores de classe média dos centros urbanos, como o Rio de Janeiro. Alguns romances tinham trechos que ajudavam os leitores a compreender por que o brasileiro rural não tinha gosto para os romances românticos, já que viviam distantes das influências européias e não viam o conhecimento como algo precioso e necessário, mas como algo perigoso. Além disso, muitos deles associavam os livros a má influencia que estes poderiam ter sobre as moças de família.

Nos romances regionalistas, o território nacional era apresentado de forma idealizada. Os autores tentavam criar uma imagem grandiosa do Brasil através dos cenários que apareciam nesse tipo de narrativa. A partir das características geográficas brasileiras, conseguimos perceber a imensidão dos pampas gaúchos, os aspectos exóticos do interior de Minas Gerais e a natureza única do sertão nordestino. 

Principais Autores:

Autores e obras Regionalistas
José de Alencar (1829-1877)

Nascido no Ceará, exerceu cargos políticos durante sua vida da qual passou grande parte na cidade do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Principais obras de Romance Regionalista:
O Sertanejo (1875)
O Gaúcho (1870)
Til (1872)
O Tronco de Ipê (1871)

Principais Características:Nesse tipo de romance Alencar se destaca por apresentar heróis regionais ou históricos em suas obras, ele também critica a presença dos portugueses, mas reconhece o valor dessa cultura na formação do pais.

Franklin Távora (1842-1888)

Cearense, atuou politicamente e cumpriu a função de transitor do romantismo para o realismo.

Principais obras de Romance Regionalista:
Um Casamento no Arrabalde (----)
O Cabeleira (1876)
O Matuto (1878)
O Sacrifício (----)
Principais Características:Grande defensor do regionalismo, acreditava na visão separatista das culturas brasileiras (norte e sul). Desse modo, dava importância à necessidade do conhecimento das diferentes regiões para escrever sobre elas



Visconde de Taunay (1843-1899)

Membro da elite do Rio de Janeiro, foi defensor da abolição e exerceu cargos militares e políticos ao longo de sua vida.

Principais obras de Romance Regionalista:
Inocência (1872)
A Retirada da Laguna (1871)

Principais Características:

É reconhecido como o mais equilibrado dos românticos regionalistas pelo seu senso de observação e análise e grande conhecimento das terras brasileiras. Desse modo, não dá grande importância aos sentimentos, sendo o mais realista possível.


Bernardo Guimarães (1825-1884)

Nascido em Minas Gerais, promoveu, ao longo de sua vida, críticas ao celibato e exerceu cargos jurídicos
Principais obras de Romance Regionalista:
O Ermitão de Muquém (1869)
O Garimpeiro (1872)
O Ceminarista (1872)
A Escrava Isaura (1875)
O Pão de Ouro (1879)


“A história de Pernambuco oferece-nos exemplos de heroísmo e grandeza moral que podem figurar nos fastos dos maiores povos da antiguidade sem
desdourá-los. Não são estes os únicos exemplos que despertam nossa atenção
sempre que estudamos o passado desta ilustre província, berço tradicional da
liberdade brasileira. Merecem-nos particular meditação, ao lado dos que aí se
mostram dignos da gratidão da pátria pelos nobres feitos com que a magnificaram,
alguns vultos infelizes, em quem hoje veneraríamos talvez modelos de altas  e
varonis virtudes, se certas circunstâncias de tempo e lugar, que decidem dos
destinos das nações e até da humanidade, não pudessem desnaturar os homens,
tornando-os açoites das gerações coevas e algozes de si mesmos[...].” 
TÁVORA, Franklin. O cabeleira. http://www.dominiopublico.gov.br Acesso em 23 de maio de 2012 (Fragmento)


Seminário São Francisco de Assis
Estudantes: Ítalo Viggiani, Matheus José Borsoi
Fontes (Imagens): www.uol.com.br
              (Conteúdo): Abaurre, Maria Luiza M.
                                      Português: contexto, interlocução e sentido/ Maria Luiza Abaurre, Maria Bernadete M. Abaurre, Marcela Pontana - São Paulo: Moderna, 2008

ROMANCE URBANO

O romance urbano


  A partir da década de 1830 uma nova forma de entretenimento surgiu para os moradores da capital do Império: os romances estrangeiros, principalmente franceses que eram publicados nos jornais em forma de folhetins.
  Os romances marcados por características melodramáticas e finais felizes faziam sucesso entre os jovens da corte.
A representação dos costumes da elite brasileira definiu o projeto literário do romance urbano.
  O contexto de produção literária romântica, ao profissionalizar a condição dos escritores, estimulou a criação literária porque, como eles passaram a depender da venda de seus textos, passam a escrever mais.
  A circulação inicial ocorreu nas paginas dos periódicos. Além de noticiar os fatos, os jornais também publicavam folhetins, estrangeiros e traduzidos, dando inicio a um novo publico leitor.


Identidade e democratização cultural

O romance urbano, por meio da divulgação de perfis, espaços e comportamentos reconhecidos, também investe na criação de uma identidade nacional. A consolidação dessa nacionalidade ocorre todas as vezes que um leitor se reconhece nas cenas que lê.
Com uma estrutura simples, e sem se valer de referencias culturais sofisticadas(histórias, artísticas), o romance romântico urbano contribuiu para a criação de uma identidade nacional, e democratização da literatura.

A linguagem do romance urbano

A linguagem do romance é acessível, porém existe um aspecto que merece a atenção. É frequente o narrador estabelecer um dialogo com um leitor especifico, seja ele qual for. Esse diálogo faz com que a história contada ganhe o aspecto de confidência trocada entre leitor e personagem.
Um recurso muito usado é o uso de elementos reais, que correspondem a realidade do leitor, como lugares físicos conhecidos, e que de certa forma o liga ao texto.

O amor segundo Joaquim Manuel Macedo

Joaquim Manuel Macedo conquistou um enorme publico , que foi cativado por diversos aspectos, entre eles a enorme quantidade de textos, o bom humor.
Retratou a elite brasileira de maneira irônica, e com traços e personagens inconfundíveis. O suspende também marcava suas obras, juntamente com cenas fortes e cheias de significados.


Joaquim Manuel de Macedo nasceu no rio de janeiro em 1820 e faleceu com 61 anos em 1881. Formo-se em medicina e entrou na literatura com seu romance “A moreninha” que foi sua principal obra. Ele também foi professor.

Trecho do livro "A Moreninha" de Joaquim Manoel de Macedo
"Eu tenho quinze anos
E sou morena e linda!"

"Mas amo e não me amam,
E tenho amor ainda,
E por tão triste amar
Aqui venho chorar.
O riso de meus lábios
Há muito que murchou;
Aquele que eu adoro."

[ ...]

"O coração no entanto
Desfaz o amor em pranto.
Diurno aqui se mostra
Aquele que eu adoro;
E nunca ele me vê,
E sempre o vejo e choro:
Por paga a tal paixão
Só lágrimas me dão!"

Jose de Alencar: um critico dos costumes

Jose de Alencar foi quem deu ao romance urbano uma forma mais bem acabada. De modo um pouco diferente dos outros escritores desse período, ele priorizou as relações humanas em função do ambiente em que se encontrava .
Jose Martiniano de Alencar nasceu em Messejana no dia 1 de maio de 1829, e faleceu no Rio de janeiro no dia 12 de dezembro de 1877. Ele teve várias profissões sendo essas: jornalismo, política, advogado, orador, critico cronista, romancista e um ótimo escritor  de obras dramáticas.

Manuel Antonio de Almeida: a estética da malandragem

Um que difere dos romancistas anteriores surgiu das mãos de Manuel Antonio de Almeida.  O Rio de Janeiro retratado nas divertidas páginas de “Memórias de um sargento de milícias” que retrata a realidade da burguesia, e as camadas mais baixas se contrastando.


Manuel Antonio de Almeida natural do Rio de Janeiro nasceu em 17 de novembro de 1831 e faleceu em Macaé em 28 de novembro de 1861. Ele foi médico, escritor e professor brasileiro. Ele fez uma única obra em prosa a novela memórias de um sargento de milícia.

Seminário São Francisco de Assis  
Alunos: Kaynan Cappucci e Lucas Dariva  2º ano

ROMANCE INDIANISTA


O romance indianista

               Assim como a poesia, o indianismo no romance foi um dos aspectos mais marcantes do nacionalismo literário. José de Alencar é o escritor que melhor representa essa tendência.


Contexto histórico

Em 1808 a família real vem para o Brasil, fugindo do exercido Frances que havia invadido Portugal. A chegada da corte causou grandes mudanças, como a abertura dos portos para as nações amigas, o que facilitou a entrada de novas tendências culturais, foram instaladas bibliotecas e escolas de nível superior.
No ano de 1822, foi proclamada a independência do Brasil, o que aflorou o desejo de uma literatura brasileira.

Características

  • Natureza exuberante;
  • Os índios protagonizam os enredos (belos; espertos; corajosos; heróicos.)
  • Os índios representam de forma gloriosa os ancestrais do povo brasileiro.

Principais Obras  

  •       O guarani(1857)
  •       Iracema(1865)
  •       Ubirajara(1874)   

Principal autor: José de Alencar

Nasceu em 1829 no Ceara, estudou no Rio de Janeiro e fez faculdade de direito em São Paulo, trabalhou toda a vida como advogado, mas também escreveu obras para o teatro e livros, também exerceu o jornalismo. Faleceu no Rio de Janeiro em 1877 de tuberculoso.

Trecho do livro Iracema

Capítulo II

Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a corça selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
Um dia, ao pino do Sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.
Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva.
Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.
A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se.
Diante dela e todo a contemplá-la está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito dafloresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotasarmas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.
Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido.
De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada; mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d’alma que da ferida.
O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba, e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara.
A mão que rápida ferira, estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a flecha homicida: deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.
O guerreiro falou:
— Quebras comigo a flecha da paz?
— Quem te ensinou, guerreiro branco, a linguagem de meus irmãos? Donde vieste a estas matas, que nunca viram outro guerreiro como tu?
— Venho de bem longe, filha das florestas. Venho das terras que teus irmãos já possuíram, e hoje têm os meus.
— Bem-vindo seja o estrangeiro aos campos dos tabajaras, senhores das aldeias, e à cabana de Araquém, pai de Iracema.

Fontes:
Livros:
Português: contexto, interlocução e sentido/ Maria Luiza Abaurre, Maria Bernadete M. Abaurre, Marcela pontara. São Paulo:Modeerna,2008.
   Enciclopédia do estudante : Literatura em língua portuguesa: escritores e obras do Brasil, África: e Portugal/[tradutores Maria Celia Fatarel, Ricardo Lisías Aidar Fermino; editora Sandra Almeida]. – São Paulo: Moderna, 2008.


Sites:

Alunos: Gustavo Gomes Ferreira, Maicon Custódio.
Série 2 ano.
Seminário São Francisco de Assis.


quarta-feira, abril 25, 2012

Primeira Geração Romântica

















  A primeira fase do Romantismo brasileiro,  compreendida entre 1836 e 1852, caracterizou-se pela busca da definição de uma identidade nacional, mais tarde idealizada no “bom selvagem”. Reunidos em torno de Gonçalves de Magalhães, cuja obra Suspiros Poéticos e Saudade (1836) é a precursora do romantismo no Brasil. Ele é  tido como fundador do movimento no Brasil. Um grupo de homens públicos e letrados articulou a formação de um clima de opinião favorável à autonomia cultural do país. Os autores se esforçaram em alcançar a total emancipação da identidade européia, no que se diz respeito à literatura.

  Nas três primeiras décadas do século XIX, foram fundadas dezenas de jornais e revistas, a maioria de duração efêmera. Mas a proliferação desses periódicos, geralmente dedicados à política, literatura e ciências, exprime a urgência e o anseio de expressar e fazer circular publicamente o conhecimento e a opinião. O fervor patriótico caracterizou esses autores, que buscaram no nativo, ainda selvagem uma identidade, como havia nos cavaleiros medievais.
  Entre os principais autores estão Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães sendo o primeiro o que mais se destacou. Foi ele o autor de “Canção do exílio” que mais tarde iria se tornar a principal obra da primeira geração.

A poesia indianista da primeira geração

  Foi Gonçalves de Magalhães quem resumiu o espírito que animaria a produção literária dos poetas da primeira geração romântica: “Cada povo tem sua literatura própria, como cada homem seu caráter particular, cada árvore seu fruto específico.” Escrever para eles, significava plantar árvore da literatura brasileira, garantindo que ela frutificasse
  A primeira geração foi influenciada pela definição do “bom selvagem”, dada pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau, onde projetará no índio o espírito do homem puro, e livre de qualquer mácula.

I-Juca Pirama

Trecho transcrito de uma das obras mais influentes da primeira geração.
“Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.”
[ ...]
 “Não vil, não ignavo,
Mas forte, mas bravo,
Serei vosso escravo:
Aqui virei ter.
Guerreiros, não coro
Do pranto que choro:
Se a vida deploro,
Também sei morrer”

Características:

Subjetivismo:  A opinião pessoal do autor esta destacada. A poesia e a prosa romântica mostram um olhar próprio da sociedade, de seus costumes e da vida como um todo.
Sentimentalismo: o autor busca demonstrar  os sentimentos das personagens, da grande ênfase nos amores não correspondidos e/ou impossíveis.
Nacionalismo: os autores buscam criar uma cultura brasileira livre de traços europeus
Maior liberdade formal: não ficava presa a estrutura formal
Vocabulário mais brasileiro: criam uma língua com “a cara do Brasil”, utilizando regionalismo e palavras do vocabulário indígena
Mal do Século: a primeira geração também ficou conhecida como mal do século por abordar temas sombrios, amores não correspondidos, tristeza, vida boemia e viam a morte como uma solução dos problemas.
Indianismo: As obras passavam a imagem do bom selvagem, tinham o índio como um herói.O  índio no Brasil era visto da mesma forma que o cavaleiro era visto na Europa
O culto à natureza: além de tratar o índio como herói eles tinham a natureza como algo excepcional, que representava a pureza.
A idealização da Mulher (figura feminina)- a mulher era idealizada, vista como uma musa, representando pureza e serenidade. Os autores as tornavam 
inalcançáveis. 

Biografia


Gonçalves Dias nasceu em 1823, no atual estado do Maranhão e era filho de um comerciante português. Foi muito jovem estudar direito em Portugal, voltando em 1845.  Ocupou diversos cargos de importância no seu país de origem. Em uma de suas viagens à Europa ,em missão para coleta de 
documentos, o navio naufragou, ocasionando a morte o autor. Foi o principal 
autor da primeira fase do romantismo no Brasil.



Gonçalves de Magalhães nasceu no Rio de Janeiro, em 1881. Em 1828 ingressou no curso de medicina e se diplomou em 1832. Neste tempo publicou diversos livros e poesias. Foi aclamado como criador de uma nova identidade nacional. Teve cargos de grande importância no governo e veio a falecer em Roma no ano de 1882.

Seminário São Francisco de Assis  
Alunos: Gustavo Antonio Gomes Ferreira e Kaynan Cappucci  2º ano




Terceira geração: a poesia social

Características:

Também conhecida como geração Condoreira, teve como principal símbolo da terceira fase romântica, o Condor,  que é uma ave que costuma construir seu ninho em lugares muito altos e tem visão ampla sobre todas as coisas.
As principais características são o erotismo, a mulher vista com virtudes e pecados, o abolicionismo, a visão ampla e conhecimento sobre todas as coisas, a realidade social e a negação do amor platônico,(Amor platônico, na acepção vulgar, é toda a relação afetuosa ou idealizada em que se abstrai o elemento sexual, como num caso de amizade pura, entre duas pessoas). Com a mulher podendo ser tocada e amada.
Essa fase antecipa características da Escola Realista, que substituirá o Romantismo. O subjetivismo e o emocionalismo cederão lugar para uma literatura de tom exaltado, baseada nos grandes debates sociais e políticos da época.

O projeto literário da poesia da terceira geração
A poesia, até então expressão subjetiva de um sentimentalismo exacerbado, torna-se, Castro Alves e os condoreiros,o instrumento de uma causa social: a libertação dos escravos. Por esse motivo, o projeto literário dessa geração romântica brasileira será denunciar, por meio da poesia, as injustiças sociais.

Castro Alves (1847-1871)
Antônio Frederico de Castro Alves nasceu na antiga cidade de Curralinho (hoje chamada Castro Alves),na Bahia, em 1847.Iniciou o curso de Direito em Recife,onde já se manifestaram os primeiros sintomas da tuberculose que o consumiria.Transferiu-se para São Paulo junto com a atriz portuguesa Eugênia Câmara, com quem vivia. Na Faculdade de Direito conviveu com outros poetas românticos importantes.
Destacou-se logo com poeta revolucionário e declamador muito eloquente. Já doente, voltou a Salvador onde faleceu em 6 de julho de 1871. Estava no auge de sua popularidade  como poeta e declamador.

Principais obras:

Espumas Flutuantes (1870)
Os Escravos, (1883)
O Navio Negreiro, (1869)

Navio Negreiro
Castro Alves

I
'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Donde vem? onde vai?  Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................
Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!
Albatroz!  Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz!  Albatroz! dá-me estas asas.
(Trecho da obra Navio Negreiro de castro Alves)
Alunos: Ítalo Viggiani Santos e Lucas Dariva
2° ano
Seminário São Francisco de Assis  

250 EXERCÍCIOS ANÁLISE SINTÁTICA

1. (UF-MG) Em todas as alternativas, o termo em negrito exerce a função de sujeito, exceto em: a) Quem sabe de que será capaz a mulher de...