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quarta-feira, outubro 29, 2014

GERAÇÃO DE 45 - JOÃO CABRAL DE MELO NETO

O que parte da crítica literária vem chamando de Geração de 45 consiste num grupo de poetas já desligados da revolução artística de 22, que recuperaram certos valores parnasianos e simbolistas, como o rigor formal e o vocabulário erudito. No entanto, à chamada Geração de 45 pertencem poetas não catalogáveis, o que nos leva a análises individuais desses autores. Dessa forma, João Cabral de Melo Neto só pertenceria à Geração de 45 se levado em conta o critério cronológico; esteticamente, afasta-se de grupos, por ter aberto caminhos próprios, tornando-se, portanto, um caso particular na evolução da poesia brasileira moderna.

Nasceu em Recife (PE), em janeiro de 1920. Primo, pelo lado paterno, de Manuel Bandeira e, pelo lado materno, de Gilberto Freyre. Em 1940 viaja com a família para o Rio de Janeiro, onde conhece Murilo Mendes. Esse o apresenta a Carlos Drummond de Andrade e ao círculo de intelectuais que se reunia no consultório de Jorge de Lima. Em 1942 acontece a publicação de seu primeiro livro, Pedra do Sono.

O universo poético de João Cabral de Melo Neto é, principalmente, o da zona da mata e do sertão nordestino. Sua poesia remete o leitor constantemente às cidades de Olinda e de Recife com seus casarões antigos, seus mares e rios importantes como o Beberibe e o Capibaribe, e aos canaviais da zona da mata pernambucana. Mas também remete para a vegetação escassa da caatinga e à dor do agreste brasileiro. Por isso mesmo, dois de seus livros, Pedra do sono e A educação pela pedra trazem no título a ideia de pedra, símbolo da secura sertaneja e do solo pedroso da região.
“ No Sertão a pedra não sabe lecionar, e se lecionasse, não ensinaria nada; Lá não se aprende a pedra: lá a pedra, uma pedra de nascença, entranha a alma.”
A poesia de João Cabral de Melo Neto é um marco dentro da literatura brasileira porque representa a maturidade das conquistas estéticas mais radicais do século XX. Contrariando a poética nacional que sempre fora sentimental, retórica, ornamental, João Cabral de Melo Neto constrói uma poesia não lírica, não confessional, presa à realidade e dirigida ao intelecto. Apesar de pertencer cronologicamente à geração de 45, Cabral não se enquadra somente nesta geração.  João Cabral é tido como o único poeta da geração de 45 que influencia a geração posterior (vanguarda concreta) porque defendia a aproximação da poesia com os meios de comunicação e com a arte popular.
A geração de 45 propunha um retorno às formas tradicionais do verso, como o soneto, e negava o experimentalismo dos modernistas de 1922.
O poeta explicita sua preocupação com a realidade nordestina e a denúncia da miséria.  Em O Cão Sem Plumas, o poeta inicia um ciclo de poemas em que busca, em meio uma atmosfera mineral, a vida possível. Essa ênfase se desdobrará em O Rio e Morte e Vida Severina. Ressalta-se na redundância, na duplicação de palavras e ritmos, o poema sugere a cadência da prosa e a monotonia das águas barrentas do Capibaribe, cão sem pelo ou pluma, reduzido só a detritos e lama.
[...] Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra. [...]

Morte e vida Severina
Referências:
http://pt.slideshare.net/clauheloisa/joo-cabral-de-melo-neto-11376001?qid=7547b57f-3db8-40f1-a1da-ae8189937681&v=qf1&b=&from_search=1
Livro didático: Abaurre, Maria Luiza M.
            Português: contexto, interlocução e sentido/
Maria Luiza Abaurre, Maria Bernadete M. Abaurre,

Marcela Pontanara – São Paulo: Moderna, 2008.

Aluno: Arthur Emilio Holdefer 3º. Ano EM
Seminário São Francisco de Assis
2014
Professor Ricardo Luís Mees

GERAÇÃO DE 45 - GUIMARÃES ROSA

“Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?”

Guimarães Rosa João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo Minas Gerais no ano de 1908. Possui um caráter regionalista totalmente diferente da ficção da geração de 1930. Ganhou destaque dentro do modernismo com suas principais obras, Sagarana (conto de 1946) e Grande Sertão Vereda (romance de 1956), chegando a participar em 1967 da academia brasileira de letras.

Teve como características o frequente uso de onomatopeias, rimas, aliterações e o uso de palavras coloquiais que estavam praticamente em desuso. O principal enfoque de suas obras eram os costumes e as paisagens sertanejas envolta de mistérios e revelações em torno à vida.
Sua principal obra foi Grande sertão veredas, seu único romance que conta a vida de Riobaldo um homem que se torna jagunço e viaja pelos grandes sertões de Minas Gerais. Nesta viagem percebe sua situação de perigo, e sua adaptação ao sertão.

A principal característica que diferencia Guimarães de qualquer outro escritor regionalista é o uso de neologismos que o autor utiliza em suas obras, saindo da linguagem cotidiana, e do sertão superficial, fundindo assim uma formalidade na linguagem popular.

“É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado.”



Aluno: Odilon Voss 3º. Ano EM
Seminário São Francisco de Assis
2014
Professor Ricardo Luís Mees

UMA ESTRELA CHAMADA CLARICE


 “Fascinava-nos, apenas.
Deixamos para compreendê-la mais tarde.
Mais tarde, um dia… saberemos amar Clarice.”

(ANDRADE, Carlos Drummond. Visão de Clarice Lispector.)

O que o poeta da geração de 1930 da literatura Modernista Brasileira pode dizer sobre Clarice, escritora da geração pós-modernista de 1945?

O texto clariceano, apresenta-se geralmente como enigmático. Numa entrevista ao programa “Panorama” da TV Cultura pouco antes de morrer, Clarice define sua obra como de “toque”. Para ela, é claro que não há nada de enigmático em sua obra e sim existe muito sentimento. “Ou toca ou não toca”. Esse toque presente na obra de Clarice é conhecido pelo termo de epifania, ou seja, significa a descoberta da própria identidade a partir de estimulo externo. As personagens nesse momento descobrem a própria essência, aquilo que as distingue das demais e as transforma em indivíduos singulares. É aí que o leitor se identifica.

Clarice Lispector nasceu na Ucrânia em 10 de dezembro de 1920, e sua família mudou-se para o Brasil durante a Guerra Civil Russa em 1922, instalando-se em Maceió. Com 15 anos mudou-se para o Rio de Janeiro e com 19 anos escreveu seu primeiro conto intitulado “Triunfo”. Com 56 anos publicou seu último livro “A hora da estrela” em 1977. Faleceu meses depois da publicação da obra, na véspera de seu 57º aniversário, 9 de dezembro.

A descoberta do “eu” é o tema que mais agradava Clarice, embora, segundo ela, nunca tivesse desvendado totalmente, pois isso é impossível. A condição feminina, a dificuldade do relacionamento humano e a hipocrisia dos papéis “socialmente” definidos estiveram presentes nos textos de Clarice.

Para Affonso Romano de Sant’Anna, Clarice “inventou” quatro passos que permearam toda construção literária de suas obras. Partindo do tema a personagem é disposta numa determinada situação cotidiana; Então se prepara um evento que é pressentido discretamente; Ocorre o evento que lhe “ilumina” a vida; Ocorre o desfecho, a partir do qual se considera a nova situação da vida do personagem, após o evento.

Sobre a misteriosa Clarice Lispector, só podemos recordar e repetir as palavras de Drummond: Clarice veio de um mistério, partiu para outro. Ficamos sem saber a essência do mistério. Ou o mistério não era essencial, era Clarice viajando nele.

Aluno: Vinícius de Menezes Fabreau, 3º. Ano EM
Seminário São Francisco de Assis
2014
Professor Ricardo Luís Mees

GERAÇÃO DE 45 - FERREIRA GULLAR

José Ribamar Ferreira, o mais conhecido Ferreira Gullar, nasceu em 1930 e passou sua infância na cidade de São Luís, no Maranhão. Foi duramente perseguido durante o período da ditadura militar, pelo fato de ter visto um policial matar um operário em um comício e, como fazia parte da Rádio Timbira como locutor, não ter anunciado o óbito como responsabilidade comunista.
Teve grande engajamento político por ter ingressado no Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes. Era escritor do jornal O Estado de S. Paulo, pelo qual trabalhou durante 30 anos.

Perseguido pela ditadura, Ferreira Gullar se exilou em países como Moscou, Santiago, Lima e Buenos Aires, e durante esse trajeto escreveu seu texto mais conhecido, Poema Sujo:
“[...] Mas sobretudo meu
corpo
nordestino
mais que isso
maranhense
mais que isso
sanluisense
mais que isso
ferreirense
newtoniense
alzirense...”

Ao voltar para o Brasil, foi preso e interrogado pelos militares, e somente solto por influências que seus amigos tinham.
Entre as características presentes em suas obras destacam-se:
  •  A busca pela ampliação dos sentidos
  • Discurso politizado, marxista;
  •  Equilíbrio entre expressão dos sentimentos e comunicação de uma visão de mundo.

Graças a sua história de vida e sua obra, Ferreira Gullar é considerado um dos maiores escritores brasileiros e da língua portuguesa, desenvolvendo obras baseadas em temas políticos, buscando sempre a existência do sentimento nas mesmas.

“Fiz sempre poesia como uma luta em busca do sentimento das coisas, do sentido da própria vida e da literatura e, ao mesmo tempo, como a necessidade de resgatar a experiência da vida, de não deixar que ela se perca.”

Aluno: Gabriel Martinelli, 3º. Ano EM
Seminário São Francisco de Assis
2014
Professor Ricardo Luís Mees

quarta-feira, agosto 13, 2014

JOSÉ LINS DO REGO

José Lins do Rego
José Lins do Rego Cavalcanti nasceu em Pilar, Paraíba no ano de 1901. Desde pequeno trabalhou nos engenhos de sua família, isso que contribuiu muito na criação de suas obras. Pois uma de suas características era por nas obras sua biografia, tendo como base o ciclo da cana-de-açúcar. Estudou na faculdade de direito em Recife, onde passou a maior parte de sua vida. E por fim morou em Rio de Janeiro a partir de 1936, aonde morreu em 1957.
“O pior não é morrer de fome num deserto: é não ter o que comer na Terra Prometida.”

É atribuída a José a inauguração do novo romance moderno brasileiro com o romance O menino de engenho em 1932. Sua principal obra foi Fogo morto (1943), que tem como tema a queda e a falência dos engenhos de açúcar. Foi um marco para a literatura regionalista ao retratar o nordeste canavieiro contando a vida e as dificuldades presentes no dia-a-dia do povo nordestino.


Tem como outras características a linguagem clara, traz recordações histórico-social e uma linguagem de forte oralidade (linguagem popular no nordeste), é comum dizermos que em suas ficções o autor mais relembra do que cria, quer dizer que, ele usa de fatos vividos para compor suas obras.
“Se chove, tenho saudades do sol, se faz calor, tenho saudades da chuva.”

Referências :

JORGE AMADO






Jorge Leal Amado de Faria nasceu em Itabuna no dia 10 de agosto de 1912. Um dos escritores brasileiros 
mais importantes e lidos de todos os tempos. Ele imprimiu um recorte particular ao projeto literário de sua geração: o estudo das relações humanas que levaram à constituição do perfil multicultural e multirracial que caracteriza o povo brasileiro.

As obras de Jorge Amado é recheado de representações da gente de sua terra, como na obra Gabriela cravo e canela (1958), o autor reforça a imagem popular da cultura daquele local, e não tem medo de abusar da linguagem simples e do tom coloquial na construção de sua narrativa, fato que lhe proporciona a atração pelo publico. Veja essas características em um trecho da obra.


“Foi quando surgiu outra mulher, vestida de trapos miseráveis, coberta de tamanha sujeira que era impossível ver-lhe as feições e dar-lhe idade, os cabelos desgrenhados, imundos de pó, os pés descalços.”


Mas não só em Gabriela que ele usa das características, ou fatos da vida do povo brasileiro em suas obras. Como no caso da obra Terra do sem-fim (1943), ele retrata a opressão em que viviam os trabalhadores rurais em contraste com a situação dos grandes coronéis da região, enriquecido pelo cultivo do cacau. Ou na obra Capitães de Areia (1937), que pertence à fase dos romances urbanos de Salvador e que retrata a vida de mineiros de rua.
Ao todo Jorge Amado contem uma vasta quantidade de obras de 32 títulos, entre eles: romances, biografias e livros infantis. Só conseguiu ter essa vasta quantia de obras, pois nelas continha as características do povo brasileiro, na qual o leitor se identificava e despertava interesse para conhecer mais de sua cultura.


Arthur Emilio Holdefer 

Referencias:




Livro didático: Abaurre, Maria Luiza M.
            Português: contexto, interlocução e sentido/
Maria Luiza Abaurre, Maria Bernadete M. Abaurre,

Marcela Pontanara – São Paulo: Moderna, 2008.

ERICO VERÍSSIMO - TRADIÇÃO GAÚCHA

“A vida começa todos os dias”
Esse grande autor brasileiro nasceu no dia 17 de dezembro de 1905, na cidade de Cruz Alta, no interior do Rio Grande do Sul. Durante toda sua infância e parte de sua adolescência voltou-se principalmente ao estudo, com grande apresso pela leitura, lia grandes obras de autores nacionais e estrangeiros. Deu-se sua formação acadêmica em um internato de orientação protestante em Porto Alegre onde destacava-se como um dos melhores em sua turma.
Optando por não fazer faculdade voltou a Cruz Alta e casou-se com Mafalda Halfen Volpe, com a qual teve dois filhos: Clarissa Veríssimo e Luis Fernando Veríssimo.
Iniciou sua carreira literária no ano de 1932, com a publicação da obra Fantoches, livro de contos. Porém, chegou à popularidade no ano seguinte com a obra Clarissa, que conta o despertar de uma adolescente, Clarissa, para a vida.


Em toda sua vida escreveu diversas obras e com temas muito variados, tanto, que suas obras são classificadas em três fases:
Ø  1° Fase: constrói um painel da burguesia do Rio Grande do Sul. Corresponde a essa fase obras como: Caminhos cruzados, Olhai os lírios do campo;
Ø  2° Fase: investiga a relação entre presente degradado por crises e revoluções e o passado histórico marcado pelo heroísmo do povo gaúcho na defesa de seu território. Obras como: O resto é silêncio e O tempo e o vento, exemplificam a esse período.
Ø  3° Fase: há uma preocupação em aprofundar temas políticos, dando as obras um tom mais engajado. Incidente em Antares e O senhor embaixador, são exemplos dessa fase.
Todas suas obras são de grande importância, tanto para construção de um povo e uma cultura, o povo gaúcho, quanto para evolução da literatura em âmbito nacional. Sua obra é de grande relevância, pois foi uma das participantes da Geração de 30, ou 2ª Geração Modernista, e mostrou para todos que o Brasil, mais do que nunca, tinha autonomia para criar uma literatura própria.
Recebeu vários prêmios, que só comprovaram e intensificaram a qualidade de suas obras.
Erico Veríssimo morreu no dia 28 de novembro de 1975.


Livro: Português: contexto, interlocução e sentido/Maria Luiza Abaurre, Maria Bernadete M. Abaurre, Marcela Pontara. – São Paulo: Moderna, 2008.

O SERTÃO DE RACHEL DE QUEIROZ


“Quem come a carne tem de roer os ossos” 

(Rachel de Queiroz em O Quinze)




Presença feminina na geração de 1930 da literatura modernista brasileira, Rachel de Queiroz (1910 – 2003) tornou-se conhecida após a publicação da obra “O quinze” (1930) que retrat
a a realidade da dura infância vivida no sertão, durante a seca de 1915. Nesta obra, o desejo de Rachel era mostrar a luta do povo nordestino entre a seca e a miséria.

Sobre “O quinze” podemos destacar três aspectos literários marcantes na prosa de Queiroz:


1.     Estrutura – A história se desenrola em linha reta, ou seja, valorizando o presente e o cotidiano das personagens que raramente invocam o passado. Além disso, o elemento como “a procissão de pedir chuva”, realça a importância da realidade nordestina, e a fome apresenta-se como imagem da vida.
O quinze (1930) - 1ª Edição

2.     Linguagem – A obra apresenta elementos orais típicos do nordeste na fala das personagens.

3.     Cenário – É o Ceará. Quixadá, lugar da seca, em maior escala. E Fortaleza, cenário urbano, lugar da migração e onde mora a protagonista Conceição, aparece em menos escala.


Rachel dedicou-se a tradução e a escrita de peças teatrais, poemas e crônicas, onde utilizava uma linguagem direta e coloquial. Ela mudou a concepção da literatura brasileira, pois fez do homem, e principalmente da mulher sertaneja, as estrelas de suas obras literárias.


Com o reconhecimento que lhe é de direito, foi à primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, em agosto de 1977 e a primeira mulher a receber o Prêmio Camões, premiação mais importante da Literatura em Língua Portuguesa.


Seminário São Francisco de Assis
Vinícius de Menezes Fabreau - 3º Ano

Referências




 

ROMANCE DE 30 - MODERNISMO BRASILEIRO

Depois da Semana de Arte Moderna, a ideia de "modernismo" - ou seja, de novas atitudes artísticas contra a arte encarada como artificial, contra tudo o que os escritores consideravam "velho"- parecia não ter sido absorvida e a literatura no Brasil parecia não ter mudado em nada.
Entretanto, alguns intelectuais de várias regiões começaram a manifestar-se: a verdadeira arte moderna devia retratar criticamente um Brasil mais abrangente, que mal se conhecia, cujas desigualdades sociais fossem retratadas com vigor num realismo próprio do século 20. A arte literária, segundo vários intelectuais, devia sair dos "salões aristocráticos de São Paulo", quer dizer, devia abandonar o contato apenas com o urbano, influenciado pelas vanguardas europeias.
O Romance de 30
Em 1926, ocorre um congresso em Recife e nele se encontram escritores do Nordeste; estes se dispõem, aos poucos, a fazer uma prosa regional consistente e participativa. É dessas primeiras manifestações que surgirá um dos momentos mais autênticos da literatura brasileira, o Romance de 30.
A data de 1930 é marcante porque consolida a renovação do gênero romance no Brasil, ou seja, traz novos rumos à prosa. Depois de tanta arruaça intelectual dos primeiros modernistas no Sudeste do país, procura-se atingir equilíbrio e estabilidade, que, aos poucos, vai aparecendo em obras e mais obras: O quinze, de Rachel de Queiroz(1930); O país do Carnaval, de Jorge Amado(1931); Menino de engenho, de José Lins do Rego (1932); São Bernardo, de Graciliano Ramos (1934); e Capitães da areia, de Jorge A
mado (1937).
Esta nova literatura em prosa será antifascista e anticapitalista, extremamente vigorosa e crítica. Os livros didáticos a chamam com vários nomes: "Romance de 30" (porque é o início cronológico da nova literatura); romance neo-realista (porque essas obras conseguiram renovar e modernizar o realismo/naturalismo do século 19, enriquecendo-o com preocupações psicológicas e sociais) ou romance regionalista moderno (porque escapa das metrópoles e vai ao Brasil regional, preso ainda a antinomias dos séculos anteriores).
Lembremos, inclusive, que algumas obras sociológicas fundamentais surgem nessa mesma época: Casa-grande & senzala, de Gilberto Freyre, é de 1933, e Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda, de 1936.
De todos os nomes para essa época, o melhor parece ser o do título deste artigo. Por quê? Porque os romances de Rachel de Queiroz, Jorge Amado, José Lins do Rego, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos e outros escritores criaram um estilo novo, completamente moderno, totalmente liberto da linguagem tradicional, nos quais puderam incorporar a real linguagem regional, as gírias locais.
A consciência crítica
Mais do que tudo, através dessa "fala", consolidaram em suas obras questões sociais bastante graves: a desigualdade social, a vida cruel dos retirantes, os resquícios de escravidão, o coronelismo, apoiado na posse das terras - todos problemas sociopolíticos que se sobreporiam ao lado pitoresco das várias regiões retratadas.
Leia, por exemplo, um trecho de Vidas secas, de Graciliano Ramos:
Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos [...]
Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanhacado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.
Perceba a força narrativa com que o narrador descreve a cena cruel, de retirantes exaustos sob o sol, a família silenciosa e triste, com a qual ele se solidariza ("os infelizes"); ele e nós, os leitores. A lentidão proposital da narrativa é a superação difícil do caminho sob o sol (para onde vai quem não tem terras?) e a secura descritiva reproduz o silêncio dos que estão exaustos. Essa é a seca vida do herói - agora um anti-herói -, humilhado e vencido pelo meio hostil.
Esses romances foram fundamentais para o amadurecimento da consciência crítica e social do leitor brasileiro. Com eles, encontramos formas de compreensão do homem em várias faixas da sociedade brasileira e do determinismo que o persegue em situações adversas. É injusto pensarmos que esses romances mostraram apenas as "mulatas gabrielas" para o mundo exterior. As formas de narrar o cotidiano ficaram mais complexas e tensas.
Leia mais um trecho de Graciliano Ramos, não da história de Fabiano, mas da de Paulo Honório, que foi guia de cego e trabalhador de enxada, mas conseguiu conquistar, com violência e determinação, além da fazenda de São Bernardo, respeito, dinheiro e prestígio: virou um coronel. Teria sido um Fabiano que deu certo? Parece que não:
Graciliano Ramos
Cinquenta anos perdidos, cinquenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei
[...]
Creio que nem sempre fui egoísta e brutal. A profissão é que me deu qualidades tão ruins.
[...]
Não consigo modificar-me, é o que aflige.
[...]
A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste que me deu uma alma agreste.
A adesão ao socialismo impôs aos escritores da época, às vezes de forma radical, fórmulas de compreensão do homem em sociedade. Os romancistas, imbuídos do sentimento de missão política, queriam mostrar as tensões que transformavam ou destruíam os homens - aliás, um tema universal e sempre vivo na literatura.
Mas o fato é que sem os modernistas de 1922 (1ª. geração), dificilmente os modernistas de 1930 (2ª geração) teriam conseguido o feito literário e social que obtiveram, porque aqueles foram os primeiros que provocaram a atualização da "inteligência" brasileira, foram eles que trouxeram para a literatura o fato não-literário e a oralidade, que tanto beneficiou o realismo seco dos escritores regionalistas, dando-lhes maior autenticidade.
Por outro lado, mesmo com os romances mais pitorescos e menos brutais, os leitores aprenderam, como nos ensina Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira), que o velho mundo dos homens poderosos não acaba tão facilmente: as estruturas das oligarquias regionais se mantêm através do poder e da força, e é contra eles que se tem de lutar. Como nos conta Jorge Amado, ao final de Capitães da areia:
No ano em que todas as bocas foram impedidas de falar, no ano que foi todo ele uma noite de terror, esses jornais (únicas bocas que ainda falavam) clamavam pela liberdade de Pedro Bala, líder da sua classe, que se encontrava preso numa colônia.
[...] E no dia em que ele fugiu..., em inúmeros lares, na hora pobre do jantar, rostos se iluminaram ao saber da notícia. [...] Qualquer daqueles lares se abriria para Pedro Bala, fugitivo da polícia. Porque a revolução é uma pátria e uma família.
Fonte: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/modernismo-no-brasil---a-2-geracao-o-romance-de-30.htm

sábado, junho 02, 2012

AUTORES E OBRAS DO MODERNISMO NO BRASIL


Alcântara Machado (1901-1935)

 

Alcântara Machado (1901-1935) foi um jornalista, político e escritor brasileiro. Foi um dos mais importantes escritores do primeiro tempo modernista. O mundo do imigrante italiano e seus esforços de integração a São Paulo deram a Alcântara Machado, modernista de primeira hora, a temática e o estilo no qual ele escreveu seus contos.

Antônio Castilho de Alcântara Machado de Oliveira nasceu em São Paulo SP em 25 de maio de 1901. Formado em direito, começou ainda estudante a trabalhar como jornalista. Após uma temporada na Europa, impregnou-se das idéias de vanguarda e assumiu ostensiva posição de combate pela renovação literária, ao lado de Oswald de Andrade, como redator da Revista de Antropofagia. Publicou Pathé-baby (1926), suas impressões de viagem, e em seguida os dois livros de contos pelos quais se tornaria lembrado como expoente do gênero: Brás, Bexiga e Barra Funda (1927) e Laranja da China (1928).

 

Cassiano Ricardo (1895-1974)

Cassiano Ricardo Leite, poeta e ensaísta, nasceu em São José dos Campos, SP, em 1895 e morreu no Rio de Janeiro em 1974. Tendo participado do movimento modernista e de grupos que se lhe sucederam, Cassiano Ricardo soube aproveitar como poucos o Indianismo, uma das influências do momento, tomando-o como base de uma autenticidade americana. ‘Martim Cererê’, seu livro mais conhecido, traduzido para muitos idiomas e ilustrado por Di Cavalcanti, se fundamenta no mito tupi do Saci-Pererê, manifestando uma conciliação das três raças formadoras da cultura nacional, a indígena, a africana e a portuguesa. Mesclando essas três fontes lingüísticas, ele elabora o que foi chamado de "mito do Brasil - menino".

 Modernista e primitiva a um só tempo, brasileira sem ser nacionalista, sua estrutura lembra alguns elementos da história em quadrinho e dos filmes de animação, prenunciando a pop art. Além de ter escrito esse livro clássico da literatura brasileira, Cassiano Ricardo manteve, até o fim de sua vida, uma pesquisa poética experimental e independente, acompanhando de perto os novos movimentos de vanguarda, sobre os quais escreveu. Seu último livro, 50 anos após o de estréia, exemplifica essa constante inquietação.

                                                  Obras



Ø  Dentro da Noite (1915).

Ø  Vamos Caçar Papagaios (1926).

Ø  Borrões de Verde e Amarelo (1926).

Ø  Martim Cererê (1928).

Ø  O Sangue das Horas (1943).

Ø  Um Dia Depois do Outro (1947).

Ø  Poemas Murais (1950).

Ø  A Face Perdida (1950).

Ø  O Arranha-Céu de Vidro (1956).

Ø  Poesias Completas (1957).

Ø  22 e A Poesia de Hoje (1962).

Ø  Algumas Reflexões sobre Poética de Vanguarda (1964).

Ø  Jeremias Sem-Chorar (1964).

     

 

Guilherme de Almeida (1890-1969)

Guilherme de Andrade e Almeida (Campinas SP 1890 - São Paulo SP 1969). Poeta, ensaísta, tradutor e jornalista. Forma-se em direito pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em 1912. Publica seu primeiro livro, Nós, em 1917. No ano de 1922, participa da Semana de Arte Moderna e da fundação da revista modernista Klaxon. Entra, em 1928, para a Academia Paulista de Letras e, dois anos depois, é eleito para a Academia Brasileira de Letras - ABL. Em 1931, torna-se co-proprietário dos jornais paulistas Folha da Noite e Folha da Manhã, em que mantém a coluna Sombra Amiga até 1945. Participa da Revolução Constitucionalista de 1932, o que o leva a se exilar por oito meses em Portugal.

 Depois de ser apresentado, em São Paulo, ao cônsul japonês Kozo Ichige, Almeida conhece o haicai (forma clássica de poesia japonesa) e começa a utilizar essa estrutura em suas criações, desenvolvendo uma fórmula própria na língua portuguesa e a inclui em seu artigo Meus Haicais, de 1937. Em 1949, ao lado do produtor de teatro Franco Zampari (1898 - 1966), é um dos fundadores do Teatro Brasileiro de Comédia - TBC. Distingue-se também como heraldista - especialista no estudo de brasões -, o que lhe rende convites e o leva a produzir, entre outros, o brasão de armas da cidade de São Paulo. Sua obra é de tendência classicista, e mesmo nos momentos em que está mais próximo dos adeptos do modernismo, jamais adere inteiramente aos preceitos dessa escola. Algum tempo após os eventos da Semana de 22, retoma os aspectos e formas originais de sua lírica, ligados aos modelos exaltados na poesia simbolista e parnasiana. Como tradutor, verte para o português obras do escritor, poeta e músico indiano Rabindranath Tagore (1861 - 1941), dos escritores franceses Charles Baudelaire (1821 - 1867), Paul Verlaine (1844 - 1896) e Jean-Paul Sartre (1905 - 1980).


Manuel Bandeira (1886-1968)

Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no Recife, em 19 de abril de 1886. Aos 4 anos mudou-se com o pai e com a mãe para o Sudeste, onde moraram no Rio de Janeiro e em Santos. Aos 6 anos voltou para a cidade natal ficando por 4 anos e retornou para o Rio de Janeiro.

Segundo ele, esses foram os quatro anos mais importantes de sua vida. Dessa época estão presentes em sua obra, por exemplo, os empregados da casa de seu avô, as festas populares e até uma moça tomando banho de rio sem roupa, seu "primeiro alumbramento".

Aos 18 anos, estudando arquitetura na Escola Politécnica de São Paulo, descobriu que tinha tuberculose, então incurável. Ele abandonou o curso e procurou se tratar em várias serras brasileiras. Em 1913, foi para o sanatório de Clavel, na Suíça, onde fez amizade com o poeta francês Paul Élvard.

 

Um ano depois, por causa do início da Primeira Guerra Mundial, Bandeira retornou ao Brasil. Antes, porém, seu médico lhe disse que tinha lesões teoricamente incompatíveis com a vida, mas que os sintomas não correspondiam às lesões. Por isso, ele poderia viver cinco, dez, quinze anos...

"Continuei esperando a morte para qualquer momento, vivendo sempre como que provisoriamente".

Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

Obra
Poesia: A Cinza das Horas (1917); Carnaval (1919); O Ritmo Dissoluto (1924); Libertinagem (1930); Estrela da Manhã (1936); Lira dos cinquent'anos (1940); Belo, Belo (1948); Mafuá do Malungo (1954); Estrela da Tarde (1963); Estrela da vida inteira, incluindo todas essas obras, é de 1966 e foi lançada para comemorar os 80 anos do poeta.



 

Mário de Andrade (1893-1945)


Mário Raul de Moraes Andrade (São Paulo SP 1893 - idem 1945). Poeta, cronista e romancista, crítico de literatura e de arte, musicólogo e pesquisador do folclore brasileiro, fotógrafo. Conclui o curso de piano pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo em 1917. Nesse ano, sob o pseudônimo de Mário Sobral, publica seu primeiro livro de versos, Há Uma Gota de Sangue em Cada Poema. Conhece Oswald de Andrade (1890 - 1954) e assiste à exposição modernista da pintora Anita Malfatti (1889 - 1964).

            Em 1918, escreve em A Gazeta como crítico de música e no ano seguinte colabora em A Cigarra, O Echo e continua em A Gazeta. Trabalha assiduamente na revista paulista Papel e Tinta em 1920. Nessa época freqüenta o estúdio do escultor Victor Brecheret (1894 - 1955), de quem compra um exemplar do bronze Cabeça de Cristo. Em 1921, escreve para o Jornal do Comércio a série Mestres do Passado, contra o parnasianismo e colabora com a revista Klaxon, em 1922. Integra o Grupo dos Cinco com Tarsila do Amaral (1886 - 1973), Anita Malfatti, Oswald de Andrade (1890 - 1954) e Menotti del Picchia (1892 - 1988).

Além do romance Macunaíma (1930), publicou também poemas nos livros Paulicéia Desvairada (1922), Losango Cáqui (1926), Clã do Jabuti (1927),Remate de Males (1930), Poesias (1941), Lira Paulistana (1946) e O Carro da Miséria (1946).

 


Oswald de Andrade (1890-1853)



José Oswald de Andrade (1890-1853) foi poeta, romancista, ensaísta e teatrólogo. Figura de muito destaque no Modernismo Brasileiro, ele trouxe de sua viagem a Europa o Futurismo. Formado em Direito, Oswald era um playboy extravagante: usa luvas xadrez e tinha um Cadillac verde apenas porque este tinha cinzeiro, para citar apenas algumas de suas muitas extravagâncias. Amigo de Mário de Andrade, era seu oposto: milionário, extrovertido, mulherengo (casou-se 5 vezes, as mais célebres sendo as duas primeiras esposas: Tarsila do Amaral e Patrícia "Pagu" Galvão).
 Foi um dos principais artistas da Semana de Arte Moderna e lançou o Movimento Pau-Brasil e a Antropofagia, corrente que pretendia devorar a cultura européia e brasileira da época e criar uma verdadeira cultura brasileira. Fazendeiro de café, perdeu tudo e foi à falência em 1929 com o crash da Bolsa de Valores. Militante esquerdista, passou a divulgar o Comunismo junto com Pagu em 1931, mas desligou-se do Partido em 1945.
Sua obra é marcada pela irreverência, pelo coloquialismo, pelo nacionalismo e pela crítica. Morreu sofrendo dificuldades de saúde e financeiras, mas sem perder o contato com os artistas da época. entre seus romance encontram-se Memórias Sentimentais de João Miramar, Os Condenados e Serafim Ponte Grande.

Referencias  


Øhttp://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=2723
Ø  http://www.e-biografias.net/alcantara_machado/
Ø  http://pt.shvoong.com/books/biography/1659719-cassiano-ricardo-vida-obra/
Ø  http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm?fuseaction=biografias_texto&cd_item=35&cd_verbete=5176
Ø  http://www.nossacasa.net/literatura/default.asp?autor=Manuel%20Bandeira&grupo=1
Ø  http://www.culturabrasil.pro.br/bandeira.htm
Ø  http://www.oficinasculturais.org.br/biografia-patronos/biografia-de-mario-de-andrade.php
http://www.coladaweb.com/literatura/autores/oswald-de-andrade

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